Final Fantasy XV: Não joguei e não gostei

Final Fantasy XV

É muito chato quando alguém não conhece alguma coisa (ou alguém) e fala que não gosta. Tipico de criança que não quer comer salada dizendo que não gosta mas nunca experimentou. Mas isso não tem nada a ver com o que penso do Final Fantasy XV, o jogo pode até ser excelente, pode ser até que eu jogue e me divirta com ele, mas isso não vai mudar minha opinião, que eu não gostei.

Sou um RPGista nato, é meu gênero favorito de jogo desde o não RPG mas quase Adventure do Atari. Sempre gostei de entrar no papel dos personagens, me envolver no mundinho, viver aquela história épica. Isso sem contar que joguei o RPG de mesa também por muitos anos, inclusive sendo Mestre na maior parte do tempo. Então quando eu reclamo de um jogo de RPG é com o valor de alguém que sempre jogou RPG e não de um simples jogador casual que se esbarrou em um jogo de RPG.

A alguns anos, a indústria de games vem transformando os jogos de RPG em cada vez menos RPG e cada vez mais em um shooter em terceira pessoa. Temos exemplos de que essa mudança deu certo e a franquia se estabeleceu com qualidade: Mass Effect, The Witcher, DarkSouls, Skyrim e etc. É uma boa maneira de se fazer um jogo, e com histórias cada vez mais envolventes acabamos gostando de jogar RPG dessa maneira.

Acontece que com esse sucesso alguns problemas vieram. Um dos mais gritantes é que, deixando a historia de lado, nenhum desses jogos é de fato um RPG. São jogos de ação com elementos de RPG, mas se você escolher ignorar completamente esses elementos, você consegue com sucesso jogar e terminar o game sem problemas. Um exemplo é a saga Mass Effect, joguei a saga inteira a pouco tempo, os 3 jogos em questão de 3 meses a 2 anos atrás. Não tinha tempo para jogar então não tive tempo para me aprofundar nas questões do Gameplay como customização do personagem ou de armas por exemplo, me foquei na história apenas e basicamente andando pra frente e atirando eu terminei os 3 jogos sem dificuldade nenhuma jogando no nível hard.

Logicamente que quem tem tempo tinha infinitas opções de customização e configuração bem ao estilo RPG, mas nada disso era obrigatório, isso para deixar o jogo acessível a maioria. Em um RPG de verdade essas coisas não são opções, se você não pensa, evolui, aprende, você não chega ao fim.

Isso me leva finalmente ao Final Fantasy. Como muitos, comecei jogando a saga pelo Final Fantasy VII e me apaixonei pelo jogo, principalmente seu Gameplay, em turnos, com estratégia entre um ataque e outro, escolhendo bem entre ataque ou defesa, entre uma bola de fogo ou uma magia de cura. Isso era RPG, materializado ali, em forma de jogo e isso era fantástico. Após isso joguei FFVIII, FFIX, Xenogears (feito pela mesma equipe) Xenosaga, Chrono Trigger, Super Mario RPG e muitos outros RPGs. Em minha opinião aquela foi a era de ouro do RPG.

O tempo passou e a popularização dos games foi crescendo, com isso desenvolvedores procuravam criar jogos cada vez mais acessíveis para um publico cada vez maior, e os RPGs não eram fáceis, não eram os jogos ideais para esse tipo de novo público dos games, então quem fazia RPG teve que se adaptar, foi ai que surgiram os games que citei no começo do texto, Shotters em terceira pessoa com histórias excelentes.

Não me entendam errado, eu adoro esses jogos, Mass Effect é atualmente minha franquia preferida e eu comprei um Xbox One na esperança de jogar o Mass Effect Andrômeda, mas meu gosto por RPG não se limita a esse jeito de fazer o jogo e é isso que me decepcionou em Final Fantasy XV.

Eu vi muita gente elogiando o game justamente por que ele se rendeu a maneira ocidental de fazer RPG e agora se tornou basicamente um Shooter em terceira pessoa. Não me interessa que ele é bem feito, que os combates seguem uma logica ou etc. No final ele é um Shotter em terceira pessoa e nesse tipo de game já estamos muito bem atendidos. Eu queria aquele Final Fantasy garoto, o Final Fantasy moleque, Final Fantasy de várzea. É isso que falta no mundo do RPG de vídeo games hoje, um RPG com cara de RPG de verdade, que obriguem o jogador a se prender ao aspecto RPG do game, e não um jogo que so andar pra frente e atirar me faz chegar até o final.

A Square Enix sempre foi especialista nesse tipo de jogo, mas por uma dificuldade financeira de alguns anos atrás acabou se rendendo a um padrão de mercado e deixando aqueles que queriam algo diferente sem ter o que escolher. É isso que não gosto em Final Fantasy XV, por isso que eu nem joguei mas já não gostei. Só espero que não façam o mesmo com o remake de FFVII.

1 Comentário
  1. Igor Costa 6 meses atrás

    Acho mágico a realidade das coisas. A minha situação é inversa, apensar de não ter jogado também. No meu caso é o dinheiro (não estou dizendo que você é rico, haha), tempo, jogos na fila e afins.

    De qualquer forma, eu nunca quis jogar FFVII justamente por ser um típico RPG em turnos e tudo mais. Achava chato. Nada contra, sério. Talvez hoje eu goste. Eu não sei ao pé dá letra o significado de RPG, mas para mim eram jogos com sistemas de batalhas em turnos, sistema de evolução, com decisões e história rica. E como eu nunca fui fã do inglês, RPG para sim significava um grande obstáculo.

    Hoje talvez fosse diferente por causa dos jogos dublados ou legendados. Isso facilita muito. Por conta disso que eu acredito que hoje eu posso gostar do típico RPG em turnos.

    E concordo contigo. Não são jogos de RPG, são jogos de ação com elementos de RPG. Nada mais. Seria como dizer que Resident Evil 4 e 5 são do gênero Survival Horror, tal como o 1, 2 e 3.

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