Crítica: Rogue One – Uma História Star Wars

Crírtica: Rogue One - Uma História Star Wars

O hype era inevitável. Após acertarem a mão com o Star Wars VII: O Despertar da Força, todos esperavam que o primeiro filme SpinOff de Star Wars fosse tão bom quanto, ainda mais após o lançamento dos primeiros trailers de Rogue One – Uma História Star Wars. E aqui já vai o Spoiler da crítica (não do filme, apesar que acho que não vou conseguir fugir 100% de dar um ou outro Spoiler): Rogue One – Uma História Star Wars é sem a menor sombra de dúvida o melhor Block Buster do ano.

Não é uma tarefa difícil transformar qualquer coisa que leve o nome Star Wars em um sucesso de vendas, afinal é a franquia mais bem sucedida de todos os tempos, com a maior quantidade de fãs de todas. O problema é transformar um produto Star Wars, ainda mais um que não segue a história principal, em algo de qualidade. Nesse ponto o diretor do filme Gareth Edwards acerta em cheio. Rogue One é um filme fantástico, cheio de momentos surpreendentes e de tirar o fôlego. Decisões corajosas do diretor no terceiro ato do filme fazem valer a pena cada centavo pago pelo ingresso caríssimo do cinema aqui do Brasil.

O filme conta a história de Jyn Erso, ela é filha de Galen Erso, um brilhante cientista recrutado pelo império para ajudar a criar a Estrela da Morte. Galen desiste do projeto e foge do império, mas é localizado e força Jyn a fugir e ser criada por um rebelde, enquanto seu pai é levado prisioneiro para concluir o trabalho. Todo esse enredo inicial é apenas uma maneira emocionante de iniciar uma história que todos já sabemos como termina, o roubo dos planos da Estrela da Morte pela Aliança Rebelde.

A trama do roteiro é até bem simples, o que dá ao filme seu brilhantismo não é isso. Todo o contexto em que as coisas se desenrolam que de fato são as partes brilhantes da película. Os personagens são cativantes, cada um com sua história, seu objetivo, seu motivo de estar ali, sejam eles bons ou ruins. Infelizmente muita coisa sobre os personagens não é desenvolvida, afinal é pouco tempo de tela para tanta história, mas o ciclo de cada um deles fecha perfeitamente com o que é apresentado, apenas deixando aquele gostinho de quero mais de certas atuações.

O veterano ator de filmes de luta, Donnie Yen no papel do apaixonante Chirrut Imwe rouba a cena. A devoção do personagem com a Força supre completamente a falta de qualquer Jedi no filme, na realidade em muitos momentos supera até mesmo o que já foi mostrado de Jedis verdadeiros antes como Obi Wan nos episódios I, II e III. O ator mexicano Diego Luna da vida ao passional Cassian, um “espião” rebelde que toma decisões controversas a cada passo do caminho, deixando o espectador perplexo. Até mesmo a sinceridade de K-2SO, um Droid imperial reprogramado pela Aliança, deixa qualquer tirada feita por C3PO no chinelo. É digno de um Marvin do Guia do Mochileiro das Galáxias (tenho certeza que foi inspirado nele). Inclusive atuações muito inesperadas (e surpreendentes, para não dar muito spoiler) trazem vilões e heróis emocionantes a trama.

Soma-se ao desenvolvimento dos personagens, um filme de guerra como um filme de guerra, batalhas épicas, em terra ou no espaço. Sem a presença dos Jedi nessa guerra, ela se torna muito mais visceral, afinal ninguém (ou quase ninguém ;-) )tem um sabre de luz para desviar um tiro de Blaster ou um Force Push que elimina vários inimigos de uma só vez. Soldados normais, tanto do império quanto da aliança rebelde, matam e morrem como em uma guerra de verdade, não é mais só um lado que ganha dessa vez.

Não podemos deixar de falar também da chuva de Easter Eggs e Fã Services que o filme faz durante todo seu curso. De coisas pequenas como o famoso leite azul a emocionante ultima cena do filme, deixa os fãs da franquia com uma sensação de calor no coração. Não é preciso ver os outros Star Wars para ver Rogue One, o filme fecha por si só, a historia dele é contida e explicada em si mesma, mas quem é fã e viu os outros filmes vai poder aproveitar muito mais da experiência, visto que muita coisa que está no filme foi colocada lá justamente para o fã.

Já ouvi pelas Interwebs, desde a estréia do filme na quinta feira, que Rogue One era o melhor e mais sombrio Star Wars já feito. Vamos devagar com o andor nessa, pois o santo é de barro. Em minha humilde opinião, o melhor Star Wars de todos é o Retorno de Jedi, sim eu sei que não tem as revelações de “I am your father”, personagens congelados ou mãos perdidas, mas para mim O Retorno de Jedi é a essência do que é Star Wars, uma tremenda aventura, de um grupo de amigos que passou por diversas dificuldades e aprendeu a lidar com elas, sair por cima e no final ainda salvar a galáxia.

Rogue One não se encaixa nesse modelo de filme de aventura, ele é um filme de guerra, com todos os pesos e complexidades do gênero e isso é bom, mas se falando de Star Wars a aventura fala mais alto, o heroísmo (ou super heroísmo no caso dos Jedis), a velha guerra do Bem contra o Mal. Rogue One não é assim, não existe bom ou mal no filme, sim nós odiamos o império, crescemos sabendo que eles são do mal e merecem ser extintos, mas em Rogue One a aliança rebelde não é tão boazinha, heróica ou altruísta como nos filmes episódicos.

Ouvi o pessoal do site Omelete, falando em seu veredito no Youtube que Rogue One sequer é o filme mais sombrio da franquia, que o Episódio III: A Vingança dos Siths é muito mais sombrio. Em primeiro momento eu não concordei mas pensando mais a respeito é verdade, em A Vingança dos Siths é feito um extermínio dos Jedis, Anakin mata centenas de crianças, ele mata a própria esposa grávida, o resultado da luta entre Anakin e ObiWan é terrível, e todo clima final de que a esperança foi completamente perdida impera. Já em Rogue One, muitas coisas sombrias e pesadas acontecem, mas no final a esperança é restaurada, até por que, como todos sabem, esse filme leva ao inicio de “Uma Nova Esperança” então ele não poderia terminar de uma maneira tão sombria assim.

Rogue One –  Uma História Star Wars é um bom filme e ponto final. Não o melhor Star Wars, na realidade essa é uma afirmação que nem caberia a ele, pois ele não existiria se não fosse pelos outros Star Wars. Não é o Star Wars mais sombrio, é um filme de guerra que mostra todas as dificuldades que uma guerra trás, as decisões moralmente questionáveis que devem ser tomadas para que o objetivo maior não seja perdido, mas que no fim trás uma esperança por um futuro melhor. Não é um filme para fãs, é um filme que trás muita coisa direcionada para o fã de Star Wars, que deixa o fã de Star Wars extremamente feliz, mas tem uma ótima história, ótimos personagens, contada de uma maneira excelente, o que deixa ele acessível a todos. É o melhor Block Buster do ano, sem sombra de dúvidas.

[Cuidado, Spoilers abaixo]

PS.: A última cena do Darth Vader no filme deixa claro por que ele é o maior vilão da história do cinema e por que ele é tão temido no universo Star Wars. E a cena derradeira do ótimo personagem Chirrut Imwe vivido por Donnie Yen deixa muito claro o por que os Storm Troopers não acertam ninguém e possuem a fama de piores atiradores da galáxia. Eles atiram muito bem sim, mas acontece é que “A Força está comigo e Eu sou um com a Força”

 

1 Comentário
  1. Igor Costa 6 meses atrás

    Muito boa a resenha. Eu nunca assisti nenhum filme de Star Wars, mas tenho muita vontade. Ia querer assistir tudo do começo, mas pela sua resenha… Posso me arriscar a assistir Rogue One mesmo sem ter assistido os anteriores. Valeu!

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