Crítica: Doutor Estranho

Crítica: Doutor Estranho

Muitas vezes nós vamos ao cinema apenas buscando diversão. Um filme divertido, com humor na dose certa, uma aventura emocionante, ação bem feita e visualmente impressionante e personagens com carisma. Se é isso que você procurou quando foi ver o último Blockbuster da Marvel, Doutor Estranho, então você saiu do cinema feliz.

Doutor Estranho é o típico filme que sabemos que vamos receber da Marvel. Um filme divertido, com todas as qualidades que essa característica trazem. Você entra no cinema normal e sai sorrindo. Nesse quesito a Marvel tem acertado gigantescamente nos últimos anos. É difícil encontrar um filme Marvel desde o primeiro Homem de Ferro, que não tenha entregado um nível de diversão satisfatório ao final da película.

Mas nem todos que vão ao cinema estão procurando apenas diversão pura e simples. As vezes quermos Drama, História, Substância, e é nesse quesito que todos os filmes da Marvel falham. O roteiro na maioria das vezes é redondo, sem furos (existem exeções, mas de modo geral são roteiros bem feitos) mas sem profundidade ao mesmo tempo. Isso é Ok em certas circunstancias como no Guardiões da Galáxia por exemplo. Esse é um filme de super heróis que se situa em um universo completamente “galhofado” e como tal ninguém espera histórias profundas sobre o sentido da vida, ou dramas engrandecedores e etc. Mas em alguns casos em filmes da Marvel a profundidade é algo que parece natural, devido a complexidade do tema abordado por um herói e o universo que o cerca, e o Doutor Estranho é um filme assim, ele exige uma profundidade, uma vontade maior de abordar os dramas reais que envolvem os personagens, mas na hora que precisa o filme não entrega, se mantem no padrão Marvel de diversão.

Não me entendam mal. Eu gostei do filme, gostei muito, como disse é um filme divertido. Saí do cinema com um sorriso no rosto e com aquele gostinho de quero mais na boca. Mas acontece que quando cheguei em casa, vários assuntos tratados no roteiro bem feito, mas raso, do filme me deixaram com a sensação de que o filme poderia ser muito mais. O drama vivido por Stephen Strange, personagem vivido pelo excelente ator Benedict Cumberbatch, é algo muito profundo, a relação dele com a colega vivida pela atriz Rachel McAdams é intensa, mas nunca aprofundada na tela, tanto que eu agora não consigo ao menos lembrar o nome da personagem, de tão superficial que foi o papel dela na trama.

Assuntos como ego, orgulho, medo da morte, vingança, traição, mentira,egoísmo, amor, todos são pincelados na trama mas nenhum chega a ser aprofundado da maneira correta, nenhum dos problemas são resolvidos, ou se são resolvidos são por casualidade e não por uma determinação do assunto especifico. E esses assuntos são todos assuntos pesados, negativos em uma certa maneira, todos demandam uma introspeção e uma reflexão e nada disso ocorre a nível satisfatório na trama.

Mais uma vez a Marvel conta com suas piadas, cenas de ação exuberantes, atores carismáticos e um roteiro que não se compromete a nenhum momento, para manter a qualidade do filme. E disso tudo vale o destaque para as cenas de ação. Doutor Estranho é o filme da Marvel que de longe tem as cenas de ação mais bem feitas da franquia. Não digo em termos de luta em si (nisso o Capitão América: O Soldado Invernal é bem melhor) mas sim no visual, nos efeitos especiais, na ambientação. Todas as cenas são perfeitas e mesmerizastes, da cidade dobrando em vários níveis a incrível cena de ação final. Todas empolgam e deixam o espectador na ponta dos pés.

Doutor Estranho é com certeza um filme da Marvel que me faz continuar querendo ver filmes da Marvel, é divertido, engraçado (mesmo exagerando as vezes em algumas piadas) e até mesmo emocionante. Mas ele deixa um gostinho amargo na boca após algumas horas, pois é claro que várias coisas que deveriam ter sido tratadas foram suprimidas pelo padrão Marvel de fazer filmes. Se me perguntarem se eu recomendo o filme, a minha resposta é “Com certeza” mas eu espero o dia em que a Marvel faça um filme que atenda nossa vontade de algo mais profundo. Pois não é só de Marvel que vivemos, as vezes queremos um Wiplash, um Interestelar ou até mesmo um subvalorizado Batman v Superman.

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